Aprender uma nova língua é como desbloquear uma mecânica nova em um jogo. Quando se domina apenas o idioma materno, ficamos limitados a só consumir o conteúdo disponível no mesmo, conhecer não mais do que uma amostra gratuita do que o mundo pode realmente nos oferecer. Ter a oportunidade de estudar Língua Inglesa quando ainda adolescente foi, portanto, um dos privilégios mais transformadores da minha vida e uma das forças mais cruciais para que eu me tornasse a pessoa que sou hoje.

Seja gastando horas vendo canais estrangeiros no Youtube sem depender de legendas, preparando o material para minha próxima aula (fui docente no programa PROLINFO, da Universidade de Pernambuco) ou interagindo em comunidades online onde todos, seja qual for sua localização no planeta, podem se comunicar tranquilamente, falar inglês me proporcionou experiências únicas e incríveis.

E uma das mais singulares dessas experiências possivelmente envolve seu youtuber favorito.

Vamos dar um pouco de contexto: em meados de 2016, um modesto game indie produzido por um rapaz da Polônia acabou se tornando um viral na plataforma. Estando o vídeo do canal francês SQUEEZIE no topo do ranking (6,4 milhões de views), seguido do chileno JuegaGerman (4,6 milhões) e do ícone irlândes jacksepticeye (3,8 milhões), não é difícil associar o sucesso do jogo com sua temática, que não poderia ser mais meta: Tube Tycoon era, como o nome sugeria, um simulador de… youtubers.

Alguns canais brasileiros também testaram a versão beta na época, como o do Hagazo e Febatista.

Após conhecer o jogo em um episódio do GTLive, livestream do meu crush Matpat, passei a acompanhar o processo de desenvolvimento do título até sua tão aguardada versão final – o que eu não imaginava até então era que acabaria fazendo parte disso.

Uma seleção depois e lá estava eu no Discord sendo apresentada pelo criador do game, Bionicl, aos dois outros brasileiros com quem iria trabalhar nos próximos meses. (Na verdade, um deles sumiu na metade do caminho, então o conteúdo final ficou meio que dividido igualmente entre o @ArrasaMonkey e eu.)

É aqui que as coisas ficam interessantes. Se você fosse selecionado para ajudar a trazer um game para o mercado do seu país, teria apenas que se preocupar em fazer um bom trabalho traduzindo corretamente a interface, os diálogos e demais elementos da obra. Alguma adaptação poderia ser feita aqui ou ali, mas nada que essencialmente alterasse o conteúdo original. Mas esse não era o caso do Tube Tycoon, e é exatamente por isso que digo que essa foi uma “experiência singular”.

Ora, se estamos falando de algo que deveria emular o Youtube, por que não tentar aprimorar a imersão do jogo com um conteúdo que seja familiar ao player, algo único e especial para cada língua disponível? Há muito sobre a cultura da comunidade youtuber de cada país que só pode ser aproveitada e compreendida por quem a consome. E nós somos brasileiros. Nosso lore no campo dos memes é no mínimo extenso.

Comprando a ideia animadamente, Bionicl levantou o cartão verde e nos deu a liberdade artística de dar um “toque brasileiro” em quase tudo diante de nós dois: conquistas da Steam, títulos de vídeos e, acima de tudo, comentários. Ah, os comentários. Se você testar alternar entre os idiomas enquanto joga e os abre, irá perceber que 40-50% dessa parte do banco de dados foi “substituída” com piadas originais na versão PT-BR, sejam elas referências à internet BR ou tentativas minhas de simular fãs, haters e trolls que você veria (ou gostaria de ver) no último vídeo que assistiu.

Febatista sendo vítima do melhor (ou pior) que o humor Agatístico pode oferecer

Sem mais delongas, segue abaixo um compilado das principais referências que tive o prazer de deixar para vocês por lá:

Youtubers

Poliana Izzy Nobre

Outros


Fun fact: o TubeVideo, plataforma-paródia do Youtube no jogo, existe dentro do Septversum. Pedi permissão ao Bionicl para usar tal conceito em The Ultimate Theory, projeto futuro da franquia.